sexta-feira, 31 de dezembro de 2004

Aviso relevante

Se você está lendo este aviso, então isto é para você. Cada palavra dessa mensagem inútil que você está lendo corresponde a um segundo de sua vida que foi desperdiçado.

Você não tem nada melhor para fazer? Sua vida é tão vazia que você não consegue pensar em melhores formas para passar estes momentos? Ou você é tão impressionável com autoridade que precisa respeitar e credenciar todos que alegam tê-la? Você lê tudo o que esperam que leia? Você pensa tudo o que devia pensar? Compra tudo o que dizem que você precisa?

Saia da sua casa ou do seu apartamento. Não se transforme num escravo da TV ou da Internet. Encontre um membro do sexo oposto. Pare de comprar o que não precisa. Não aceite soluções prontas. Abandone seu emprego. Comece uma briga. Prove que você está vivo.

Se você não reivindicar sua humanidade, em breve, não passará de uma mera estatística. Faça o que lhe der na telha. Só não vale reclamar, pois, afinal, você foi avisado...

segunda-feira, 13 de dezembro de 2004

Estudos Microbiológicos: Universo Punk

Você está cansado que lhe enfiem goela abaixo (e sem direito a copo d’água para acompanhar) os supersucessos superproduzidos pelas rádios FM e toda a purpurina pseudolegal que aparece na MTV? Está a fim de expressar ao mundo a insatisfação de sua alma, torturada e presa num mundo que não criou? (O que nos leva a pergunta: quem está preso num mundo que criou?). Quer se envolver com questões sérias, mas não tem paciência (nem coragem) para levantar bandeira alguma? A resposta para você está no movimento Punk...

Politicamente falando, o punk é o roqueiro PCO. Mais revolucionário que o PT e o PSTU, muito mais bizarro que o PRONA, e assim como todos esses, incapaz de promover qualquer tipo de mudança. Até porque o punk é o partido anárquico, e a anarquia pressupõe a ausência total de organização, uma vez que para ela (e para todo punk) o caos é a ordem natural do universo. Ao mesmo tempo em que é contra tudo, o punk não é a favor de coisa alguma.

Punk é o metaleiro que chegou ao extremo do radicalismo. A principal diferença entre um punk e um metaleiro, é que o punk não despreza, ele odeia. Odeia o sistema econômico, a sociedade, os pagodeiros e, principalmente, o fato de ter nascido num mundo que não criou. (O que nos remete à pergunta: quem nasceu num mundo que criou?). O punk não está nem aí para si mesmo, muito menos para “o outro”. A característica psicológica que melhor define o punk é a autodesvalorização do ego (assim como, do tu, do ele, do nós, do vós e do eles). O punk é por natureza um revoltado.

É muito fácil identificar um punk: é aquele sujeito que só ouve o que você não gosta, ou pelo menos, que faz questão de dizer que não gosta do que você gosta. O movimento punk é como uma sociedade secreta, que despreza (ou melhor, odeia) os ouvidos do populacho por serem tão medíocres e tão facilmente manipuláveis pela mídia. Essas almas pobres de espírito que não conseguem captar a beleza da fúria destruidora das músicas desconhecidas que os punks tanto idolatram...

O vestuário de um punk é composto, basicamente, de camiseta preta (ou branca desde que esteja com o nome de sua banda preferida escrito com sangue), tênis (de preferência Allstar, bem velho, rasgado e desgastado pelo uso contínuo e diário, e que nunca tenha sido lavado, pois só assim poderá expressar toda revolta contra a repressão onipresente da sociedade que impõe o padrão homogeneizante da limpeza) e calca jeans com, pelo menos, cinco anos de uso contínuo e diário (e que também nunca tenha sido lavada, justamente, para poder expressar toda a revolta contra a repressão onipresente da mesma sociedade que impõe o padrão homogeneizante da limpeza). O verdadeiro punk jamais lava o cabelo (isso quando o punk tem cabelo) ou toma banho, pois além de ser uma convenção social hipócrita que despreza, quando a água entra em contato com seu corpo, provoca uma reação alérgica que faz com que o punk fique limpo, e, por conseqüência, deixe de ser punk.

Para começar uma discussão animada com um punk, diga a palavra mágica: RAMONES. Funciona como abracadabra! Eles existem desde 1976, e mesmo que, tenham sido vítimas da perseguição da CIA e do FBI (que já silenciaram três dos quatro integrantes: Joey Ramone – assassinado por câncer; Dee Dee Ramone – envenenado por overdose e Johnny Ramone – assassinado por câncer na próstata), continuam, juntamente com os Sex Pistols (cujo lendário baixista, Sid Vicious, também foi assassinado devido a uma ação do M16), sendo os maiores representantes da estética musical punk. Todo punk os ama, embora nem sempre tenha coragem para admitir. Outros nomes incluem The Clash, Aborto Elétrico (que deu origem ao Legião Urbana), Inocentes, Garotos Podres e Devotos do Ódio. Jamais, mencione o nome do maior traidor do movimento: Ratos de Porão. Os punks jamais conseguiram perdoar o fato do vocalista João Gordo ter se vendido ao Trash Metal. Como regra, dinheiro é a antítese do punk, mesmo que seja a única forma de sustentá-lo.

Isso conclui a apresentação do fenômeno anti-social conhecido como punk. Da próxima vez que você encontrar um punk na rua, antes de encará-lo com desprezo ou virar o rosto para o outro lado (e talvez, esse seja um ato reflexo, provavelmente ocasionado pelo cheiro característico que insiste em acompanhar os punks), lembre-se: o punk é o paradigma de uma alma perdida e torturada, tão atormentada como uma vaca alérgica a lactose e, ainda por cima, confinada a viver num mundo que não criou (o que misteriosamente nos transporta para a pergunta: quem está confinado a viver num mundo que criou?).

Até a próxima!

Marcos