domingo, 25 de novembro de 2007

Nunca ninguém sabe

Mário Quintana

Nunca ninguém sabe se estou
louco para rir ou para chorar...
Por isso o meu verso tem
esse quase imperceptível tremor...
A vida é triste, o mundo é louco!
Nem vale a pena matar-se por isso
Ninguém por ninguém!
Por nenhum amor...
A vida continua, indiferente!

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Ai se sêsse

Zé da Luz


Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém se acontecesse de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse te dizer qualquer tolice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tarvês que nois dois ficasse
Tarvês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse

domingo, 18 de novembro de 2007

Einmal nahm ich

Rainer Maria Rilke

Einmal nahm ich zwischen meine Hände
dein Gesicht. Der Mond fiel darauf ein.
Unbegreiflichster der Gegenstände
unter überfließendem Gewein.

Wie ein williges, das still besteht,
beinah war es wie ein Ding zu halten.
Und doch war kein Wesen in der kalten
Nacht, das mir unendlicher entgeht.

O da strömen wir zu diesen Stellen,
drängen in die kleine Oberfläche
alle Wellen unsres Herzens,
Lust und Schwäche,
und wem halten wir sie schließlich hin?

Ach dem Fremden, der uns missverstanden,
ach dem andern, den wir niemals fanden,
denen Knechten, die uns banden,
Frühlingswinden, die damit entschwanden,
und der Stille, der Verliererin


Uma vez tomei
Rainer Maria Rilke

Uma vez tomei entre minhas mãos
teu rosto. Sobre ele caia a lua.
O mais fantástico dos objetos
submerso em pranto.

Como algo dócil, que existe em silêncio,
contê-lo era quase como que um ardil.
E, ainda assim, não havia o que na
fria noite mais infinitamente me escapava.

Oh, porque desembocamos nestes lugares,
represando na pequena superfície
todas as ondas de nossos corações,
prazer e fraqueza,
e a quem ofereceremos tudo ao final?

Ah, aos estranhos, que nos mal entenderam,
ah, aos outros, que jamais encontramos,
aos servos, que nos ataram,
aos ventos de primavera, que se desvaneceram,
e ao sossego, o perdedor.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Odeio as manhãs

Odeio as manhãs. Por mim não dormiria jamais. À noite, a mente elabora um fluxo descontínuo e fragmentado de idéias, sentimentos e frustrações e transforma tudo em pesadelo ou sonho. Aí chega a manhã, e tudo ressurge como uma mancha de óleo, como uma nuvem sufocante de gás. E a realidade, é apenas tristemente, cruelmente, malditamente a realidade.

sábado, 10 de novembro de 2007

A dream

Edgar Allan Poe

In visions of the dark night
I have dreamed of joy departed--
But a waking dream of life and light
Hath left me broken-hearted.

Ah! what is not a dream by day
To him whose eyes are cast
On things around him with a ray
Turned back upon the past?

That holy dream--that holy dream,
While all the world were chiding,
Hath cheered me as a lovely beam
A lonely spirit guiding.

What though that light, thro' storm and night,
So trembled from afar--
What could there be more purely bright
In Truth's day-star?

Um sonho
Edgar Allan Poe

Em visões da noite sombria
Sonhei uma alegria partida –
Mas um sonho acordado de vida e alegria
Deixou em meu coração uma ferida.

Ah! O que não é um sonho diurno
Para aquele cujo olhar arremessa
Em coisas ao seu redor como um raio
Que ao passado regressa?

Que sonho sagrado – que sonho sagrado,
Enquanto o mundo só reprovação via,
Encorajava-me como um raio amado
Um solitário espírito guia.

O que através daquela luz, através da noite e da tempestade,
Tão trêmula lá distante –
O que poderia ser mais puramente brilhante
Na diurna estrela da verdade?

domingo, 4 de novembro de 2007

Noam Chomsky vs Michel Foucault

Justiça vs Poder



Chomsky

"Toda forma de coerção ou repressão, toda forma de controle autocrático de alguns domínios da existência, digamos, a propriedade privada de capital de alguns aspectos da vida humana como, por exemplo, restrições autocráticas sobre algumas áreas de atividade humana, podem ser justificadas, de modo algum, apenas em termos da necessidade de subsistência, ou da necessidade de sobrevivência, ou da necessidade de defesa contra algum destino terrível ou algo do tipo. Isso não pode ser justificado intrinsecamente. Pelo contrário deve ser superado e eliminado”.


Foucault

"Sabe-se que a universidade e, de modo geral, todos os sistemas educacionais, que aparentam simplesmente disseminar o conhecimento, são feitos para manter uma certa classe social no poder; e para excluir os instrumentos de poder de outras classes sociais".